Apresentação do PLANO DE DESCENTRALIZAÇÃO DA CAMPANHA “MENOS ÁLCOOL, MAIS VIDA” PARA A REGIÃO DE SANTIAGO NORTE.

Descentralização 01

26/09/2017
- Município de São Miguel
- Santa Cruz
27/09/2017
- Santa Catarina
- Tarrafal
28/09/2017
- S. L. Órgãos
- S.S. Mundo
Ao completar um ano de actividades, a Iniciativa presidencial “Menos Álcool Mais Vida” elegeu a descentralização como objectivo central para os próximos tempos. Depois de ter contribuído para que a problemática do uso abusivo de álcool passasse a ter maior visibilidade e para o aumento da consciência das sua complexidade e gravidade, considerou-se importante investir na descentralização.
A Comissão de Coordenação, sem descurar o apoio a outros concelhos, elegeu a Região de Santiago Norte e a Ilha de S. Vicente para serem espaços de experiências piloto de descentralização a serem replicadas em outras partes do país.
Essa região foi escolhida tendo em conta as suas dimensões territorial e populacional e o fato de contar com uma boa organização e S. Vicente, foi seleccionado, não apenas por apresentar elevados índices de prevalência do uso de bebidas alcoólicas, mas, sobretudo, por ter uma reconhecida capacidade de mobilização de pessoas e instituições.
Assim num primeiro momento, pretende-se abordar as autoridades locais que deverão coordenar o núcleo concelhio, designadamente a Câmara Municipal e as delegações da Saúde e da Educação, e num segundo momento, realizar um encontro mais alargado com os atores locais de diversas áreas (ONG, associações comunitárias, grupos juvenis, clubes desportivos, congregações religiosas, etc.).
Uma ficha de sistematização de dados foi encaminhada previamente aos coordenadores dos núcleos concelhios e servirão de instrumento de trabalho nos encontros concelhios.
Plano de trabalho realizado:
1. Encontro com os coordenadores do núcleo concelhio.
 - Enquadramento geral da campanha (nota conceptual) e adequação à região e ao concelho (plano de descentralização e de comunicação).
- Constituição do núcleo concelhio: pontos-focais, papel/compromissos dos coordenadores e dos parceiros.
- Encontro alargado com os parceiros locais do período da tarde.
- Ficha de sistematização dos dados do concelho sobre a problemática do uso abusivo do álcool.
- Visita a espaços relevantes que refletem a problemática no concelho (espaços de produção, espaços de consumo, espaços de apoio/tratamento).
2. Encontro alargado com parceiros locais (14H30 – 16H30)
- Abertura (Representante da iniciativa presidencial, Representante do Município).
- Apresentação da iniciativa presidencial e do plano de descentralização da campanha na Região de Santiago Norte.
- Reflexão e recolha de subsídios com base na ficha de sistematização de dados do concelho.
- Reflexão/subsídios da perspetiva da Saúde (Delegação da Saúde);
- Reflexão/subsídios da perspetiva da Educação (Delegação da Saúde);
- Reflexão/subsídios da perspetiva da Edilidade (Câmara Municipal);
- Reflexão/subsídios da perspetiva da sociedade civil (organização da sociedade civil que atua nesse âmbito).
- Reflexão/subsídios geral (apresentação e debate de ideias entre os participantes).
- Marcação do próximo encontro do núcleo para a preparação do plano concelhio, com base no diagnóstico realizado, que será partilhado na plenária de Santiago Norte.
- Encerramento (Representante da iniciativa presidencial, Representante do Núcleo Concelhio).

KumeBebi 01Manuel Faustino diz que essa iniciativa põe em causa os propósitos da campanha nacional contra o uso abusivo do álcool, promovida pela Presidência da República em parceria, nomeadamente com os Ministérios da Educação e da Saúde.

O Chefe da Casa Civil da Presidência da República considera que a expressão “Kumi Bebe” utilizada na ilustração de cadernos escolares carrega uma mensagem subliminar que convida ao consumo do álcool o que contraria a campanha da Presidência da República contra o consumo abusivo do álcool.

Manuel Fuastino diz que às estratégias de marketing as empresas devem acrescentar ética e responsabilidade social.

Manuel Faustino admite que a empresa terá feito essa edição por descuido e avança que a Casa Civil da Presidência da República vai dialogar com os promotores para conjuntamente encontrarem uma solução para uma questão que envolve também outros parceiros da campanha da Presidência da República contra o uso abusivo do álcool, como sejam os Ministérios da Educação e o da Saúde.

MCSA - RCV

Reportagem do jornalista José Leite - https://goo.gl/obAS7X

Análise do Dr. Manuel Faustino publicada no dia 02 de Setembro, ao programa "Em Debate" com Daniel Medina, 31 Ago 2017 - tema: O Consumo do Álcool nas Festividades Nacionais, Municipais e Religiosas no seio da Juventude - Convidados: Jacinto Estrela (Sociólogo), Constantino (Padre), Manuel de Pina (Presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde).


emdebate

Alcoolismo uma urgência nacional

"Na passada quinta feira assisti um interessante debate na TCV que teve por tema central o uso abusivo de bebidas alcoólicas e a sua possível relação com os inúmeros festivais de música que se realizam por todo o país.
Os participantes- o sociólogo Jacinto Estrela, o autarca Manuel de Pina e o padre Constantina-moderados pelo jornalista Daniel Medina, discorreram sobre diferentes aspetos dessa complexa problemática que terão, espero, prendido a atenção de milhares de telespectadores.
Para além da importância e pertinência das questões abordadas, interessa referir, em primeiro lugar, a realização do debate em si. Na verdade, a televisão e rádio públicos, parceiros da Iniciativa Presidencial “Menos Álcool Mais Vida”, têm dedicado à causa uma atenção que convém destacar.
Do mês Julho a esta parte, tiveram lugar dois grandes debates e uma longa entrevista no jornal das oito da TCV sobre o uso abusivo de bebidas alcoólicas, antecedidos de ilustrativas reportagens a esse respeito.
A rádio nacional tem realizado importantes coberturas, por vezes em direto, de destacados eventos relacionados com a prevenção do alcoolismo.
Diariamente os dois órgãos difundem spots educativos na mesma linha.
Voltando ao debate, questões essenciais foram discutidas, evidenciando a grande interligação dos diversos fatores envolvidos nessa problemática.
Aspetos relacionados com a saúde pública, a economia, o entretenimento, a promoção de artistas nacionais, a educação, a qualidade das bebidas, a sua distribuição, publicidade e preço, bem como o aproveitamento de celebrações religiosas como pretexto para exageros, foram amplamente abordados
Insistiu-se muito, e com razão, nos fatos do uso abusivo de bebidas alcoólicas ter consequências nefastas para as pessoas, para as famílias e para a sociedade e da sua abordagem correta dever levar na devida conta os condicionantes que se situam a montante.
Na realidade, não será possível debelar o problema se as verdadeiras causas não forem identificadas e eliminadas ou controladas. Mas seria errado pensar que se deve atacar as causas e esperar que as consequências desapareçam. Isso não é correto porque, por um lado as consequências- como a morte, a aposentação prematura, a incapacidade física ou psicológica- muitas vezes são irreversíveis e por isso, quando possível, têm de ter abordagem imediata. Por outro lado, nem sempre se consegue agir com eficácia sobre as causas da dependência alcoólica.
O problema deve ser enfrentado numa perspetiva global e sistemática. As possíveis causas e as consequências do uso abusivo de álcool devem ser abordadas ao mesmo tempo e de forma articulada.
Não basta afirmar, repetitivamente que “todos temos de fazer a nossa parte: o Estado, a sociedade civil, as famílias os jovens, etc. etc. etc.”. É preciso explicitar o papel de cada um, particularmente no que se refere às entidades públicas. De outro modo estaremos, mais uma vez, perante uma diluição de responsabilidades, aliás, muito comum entre nós.
Os papeis devem ser definidos e as responsabilidades assumidas e avaliadas. Neste quadro, o Plano Estratégico Multissetorial de Combate aos Problemas Ligados ao Álcool do Ministério da Saúde e Segurança Social constitui uma excelente referencia para todas as vertentes dessa luta.
De alguns anos a esta parte o Presidente da República, tem insistido que o alcoolismo é uma urgência nacional. Por isso o seu enfrentamento tem de estar à altura dessa constatação.
Mas contrariamente ao que disse uma das pessoas entrevistadas na reportagem que antecedeu o debate, que por sinal fez uma interessante intervenção, não se podem esperar resultados significativos no imediato. A intervenção tem de ser imediata e permanente. Mas resultados palpáveis e consistentes, só devem surgir a médio e longo prazos.
Contudo, isso não nos impede de exultar com ganhos, mesmo parciais, como os que dados provisórios do IGAE atestam no sentido de uma redução de intercorrências clinicas relacionadas com o uso abusivo de álcool- consultas, internamentos, óbitos, urgências- em Santo Antão, com a implementação da legislação que disciplina a produção de aguardente.
Esses dados demonstram que medidas adequadas e oportunas podem ter impacto muito positivo, mas que se não forem permanentes podem levar a retrocessos.
Considerações de ordem económica estiveram muito presentes no debate. Questionou-se em que medida os festivais justificam os montantes investidos, tendo em conta outras prioridades. Defendeu-se que eles podem dinamizar a economia devido à movimentação de milhares de pessoas que possibilitam, grande consumo de produtos diversos, com especial incidência nas comidas e bebidas e à grande utilização de transportes e outros serviços.
Alertou-se para a necessidade de se realizar um balanço entre os ganhos económicos imediatos proporcionados pelos festivais e os custos das consequências negativas, especialmente os devidos ao álcool consumido de forma excessiva.
Talvez não fosse descabido extrair algumas conclusões desse interessante debate-bem conduzido pelo jornalista Daniel Medina- entre participantes com perspetivas e abordagens diferenciadas:
1- O uso abusivo de bebidas alcoólicas é um grave e complexo problema de saúde pública que urge enfrentar com determinação.
2- Os festivais de música ao contribuírem para esse uso abusivo devem ser organizados de forma a não promover esse tipo de consumo
3- A duração dos festivais deve ser controlada com maior rigor
4- Deve-se incentivar a realização de festivais sem álcool
5- Devem ser adotadas medidas que contribuíam para a melhoria da qualidade das bebidas alcoólicas
6- Deve ser instituída uma politica tendente a aumentar o preço das bebidas alcoólicas
7- As crianças e jovens devem ser melhor protegidas contra o alcoolismo
8- É importante ajudar as famílias a enfrentar essa problemática
Ideias interessantes expendidas por pessoas que sentem que o uso abusivo de bebidas alcoólicas constitui uma urgência nacional"

Festival de Baia das Gatas 2017 MAMV

A Câmara Municipal de São Vicente associou-se à Campanha Menos Álcool, Mais Vida - uma Iniciativa Presidencial que conta vários promotores (OMS|Ministério da Saúde e Segurança Social|Ministério da Educação) e com perto de uma centena de parceiros a nível nacional. Tendo em conta a problemática do uso abusivo do álcool em Cabo Verde e particularmente nos festivais, a Câmara Municipal de São Vicente vai sensibilizar os festivaleiros para o uso moderado do álcool no festival Baia Das Gatas 2017.

“É possível estar bem, participar, dançar, praticar desporto, conviver, divertir-se, sem consumir imoderadamente bebidas alcoólicas”.Jorge Carlos Fonseca

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